“Aquela minha amarga utopia estava me matando aos poucos. Eu, na verdade, estava vivendo mais nela do que na minha vida realmente. Aquela utopia onde tudo era perfeito. Ora ou outra ia passar noites em Londres, sentava-me em uma cafeteria qualquer e sempre pedia a mesma coisa. “Um café e um amor, por favor”, sempre me entregavam apenas o café. E o garçom sempre dizia enquanto entregava-me “Amor está esgotado senhorita, mas se preferir objetivar que alguém procure um amor para a senhorita, estamos dispostos”. E sem se quer ligar para o que o garçom havia dito, tomava o meu café com a expressão do rosto sem se quer uma emoção. Eu sempre achei que quando eu tivesse nascido deveria vir junto um manual de como se usar. Escrito tudo, como lidar com cada fase minha. E eu deveria grifar os mais importantes. E escrito à lápis, com força, como se a pessoa que escreveu tivesse medo que aquilo fosse apagado. Estaria escrito a minha maior característica “Escritora de Boteco”, nunca levei isso como um insulto. Mas um elogio, por que não posso levar tudo como se fosse xingamento. E se eu fosse assim? Iria levar a vida amarguradamente, sempre pelos cantos, choramingando. Mas não são essas meras palavras que vão me machucar. Não vão ser essas palavras que vão deixar que eu faça a minha esperança. Por que uma coisa que sempre trago na minha cabeça, meu dilema. É “Faça a sua esperança”, por que isso? Por que se você não fizer a sua esperança. Quem vai fazer por você? Enfim. Ora me sinto como uma garota maravilha sinto-me como se eu pudesse fazer de tudo. Salvar o mundo, tirar a angustia de dentro do peito de cada um. Ou ter até um sensor para um amor que não irá dar certo. Um amor imperfeito. Ou sinto-me assim para apenas voar para o litoral, sentar-me em qualquer lugar e fugir daqueles dias rotineiros. E apenas ficar lá, sentindo o vento litoral. As vezes me sinto assim, sou uma garota, posso dizer, um tanto bipolar. Mas não me culpo por isso, a vida me faz assim. Se hoje ela me quer feliz. Eu vou ficar feliz, se ela me quer triste, eu vou ficar triste. Eu apenas obedeço o que ela manda. Hoje sinto, que é a véspera dos dias que me sinto mal, que me sinto caindo. São os dias que autodenomino “Outono de mim”. E assim vou indo, de noites em Londres, a noites em Paris. De felicidade, a tristeza. De amor, a ódio.”